Compositor, letrista, animador musical, mentor e maestro do grupo “Chão da Ribeira., não sendo a música a sua principal atividade, de onde lhe vem tanta energia?
Cada um destes papéis tem exigido de mim uma
entrega constante e tem contribuído para incentivar o meu desejo contínuo de ir
mais além, usando temas do dia a dia, ou o historial de vivências acumuladas ao
longo dos anos e que alimentam a inspiração e expressão que coloco nas letras
ou nas melodias que escrevo.
Através desta dedicação e paixão,
não apenas crio a música e a poesia para mim próprio como a reparto com os meus
amigos que comigo ampliam os horizontes culturais da nossa comunidade da Analor
e que integram o grupo Chão da Ribeira
A música, em todas as
suas formas, continua a ser para mim uma força poderosa de conexão e
transformação, que me acompanharão sempre.
A inspiração pode vir de qualquer
lugar: uma caminhada pela natureza, uma experiência pessoal ou mesmo uma
conversa casual. O processo criativo varia consoante o tema , mas geralmente
começa com uma ideia ou tema central que é desenvolvido através da
experimentação e da improvisação. À medida que a composição toma forma, vou
revisando e ajustando as partes até que o trabalho esteja completo.
Além disso, o apoio contínuo e o
incentivo dos meus amigos são catalisadores essenciais. Saber que as minhas músicas
e letras tocam os corações dos meus conterrâneos e que conseguem uni-los a
cantar os refrões, dá-me uma força extraordinária. É este sentimento de
pertença e de partilha que me dá a energia para continuar a explorar, a compor
e a celebrar Loriga de todas as maneiras possíveis.
Fale-nos um pouco da sua vinda para Sacavém, e o que isso
significou para si
A transição de uma vila para uma
cidade foi, sem dúvida, um marco significativo na minha vida. Saí de um lugar
onde todos se conheciam, do seio de uma família numerosa onde a alegria e a
felicidade ímpar, era sobejamente repartida entre todos. Com apenas 10 anos, já
estava um pouco entregue a mim próprio num seminário, interno, num ambiente de
regras rígidas e disciplinadas. Este contraste, porém, esta mudança radical,
trouxe-me uma visão mais alargada do mundo, com experiências e conhecimentos que
enriqueceram e viriam no futuro a moldar a minha personalidade.
Na aldeia, aprendemos a valorizar
a simplicidade e a profundidade das relações humanas; chegado à cidade,
descobri a diversidade e a complexidade das mirabolantes histórias de vida de
cada pessoa que se cruzou ou simplesmente tangenciou o meu caminho. Este
encontro de mundos reflete-se nas minhas composições, onde tento capturar,
preferencialmente a essência fascinante da tranquilidade rural. Cada melodia,
cada letra é uma fusão destes universos, Loriga e Sacavém, numa tentativa de
harmonizar o velho com o novo, o familiar com o desconhecido.
Adaptar-me à vida citadina exigiu
de mim uma abertura de espírito e uma capacidade de adaptação que não sabia
possuir. A música amadureceu-me tornou-se o elo condutor que me ajudou a
navegar por esta nova realidade, oferecendo-me um refúgio e, simultaneamente,
um veículo de expressão e de conexão com outros.
Foi neste ambiente multifacetado
que criei até agora muitos temas instrumentais e cerca de vinte temas dedicados
a Loriga: “Cantar Loriga”, “O Verão e saudade” ,”As Três Fontes Gêmeas”, “O Poço
da Curilha”, Bolo Negro, “O moinho do Teixeiro”, “Fonte do Mouro” . Quadras de
Loriga”, “Serrana Serrana”, “Os Pastores da Minha Terra”, “Presépio de Loriga,”
,” Loriga Terra Lusitana”, ”Sonho de Natal -Janeiras”,” Hino da Analor”, “É
natal é Natal” , “As raparigas da Minha Terra”, para citar apenas os meus
preferidos, mais uns quantos dedicados a
Sacavém, como seja a marcha “
Sacavém é outra Loiça”, que será o tema principal da recentemente criada Marcha
de Sacavém e Prior Velho e farão a sua estreia em Junho próximo, no desfile das
marchas das freguesias de Loures.
Hoje, sinto que pertenço a ambos os lugares, levando comigo
as raízes da aldeia e os horizontes da cidade, numa dança contínua de
inspiração e criação.
O seu amor por Loriga e pela Analor são bem evidentes na
letra do Hino da Analor.
Como surgiu este poema e a música?
O hino da Analor é uma manifestação vibrante e sincera do
amor e da admiração que nutro por Loriga, uma terra de beleza inigualável e
rica em tradições. A conceção deste poema e música nasceu de um desejo profundo
de celebrar e enaltecer as paisagens, a cultura e as pessoas que fazem de
Loriga um lugar especial.
A inspiração para o hino veio de
momentos passados a explorar os cantos e recantos de Loriga. Cada passeio pelas
suas paisagens naturais, cada interação com os seus habitantes, e cada história
ouvida sobre este lugar, foram sementes que germinaram na minha mente e no meu
coração. As montanhas majestosas, as ribeiras de águas cristalinas que generosamente
serpenteiam pelas colinas e encantam o nosso olhar, de braço dado com a riqueza
cultural da região, proporcionaram uma fonte inesgotável de inspiração.
Com uma paisagem vibrante de beleza, associada a uma
comunidade simpática e hospitaleira, a celebração de loriga e das suas gentes
tornou-se um processo simples.
Queria, igualmente, que a letra demostrasse o
esforço e o empenho que a Analor e todos os seus associados fazem no sentido de
divulgar por todo o lado a nossa terra, tornando-a não apenas um lugar físico a
visitar, mas também um incentivo a conhecer a sua gastronomia, tradições,
cultura e obras de tantos loriguenses
que se evidenciam por esse mundo fora, entre os melhores, nas diversas
vertentes das artes. Ao mesmo tempo, pretendi que este tema se tornasse um
apelativo a que todos companheiros e amigos de Loriga, se unissem e se
juntassem à Analor fazendo o melhor pela terra que afinal é todos quantos por
ela se apaixonam.
A partir desses esboços iniciais,
explorei diversas melodias e ritmos. Passei horas a experimentar diferentes
combinações de acordes e progressões harmónicas, procurando a sonoridade
perfeita que pudesse refletir em simultâneo, força, alegria, grandiosidade e
vigor. A improvisação desempenhou um papel crucial, permitindo-me descobrir
nuances e detalhes que enriqueceram a composição.
Com o poema e a melodia estruturados, ajustei cada verso,
cada nota e cada pausa, garantindo que tudo harmonizava perfeitamente.
Partilhei a composição com amigos e colegas do grupo Coral e do Chão da
Ribeira, cujo apoio e vozes foi imprescindível para a gravação.
O hino da Analor não é apenas uma obra minha; é uma
celebração coletiva da comunidade. Através da música, quis criar um elo que
unisse todos os que têm Loriga no coração. Cada vez que o hino é cantado ou
tocado, sinto que estou a partilhar um pedaço da minha alma e a fortalecer os
laços que nos unem.
Em resumo, o hino da Analor é uma ode a Loriga, nascida de
um amor profundo e uma dedicação à arte da música e da poesia. É uma expressão
de tudo o que Loriga representa para mim e para todos os que têm o privilégio
de chamar este lugar de sua terra.






