sábado, 4 de fevereiro de 2017

Loriga -Fontenário




A FONTE

Ficaria de bom grado
Horas perdidas a olhá-la e a pensar…
Quantas gerações ali pararam
Quantos cântaros se encheram
Quantas vozes se ouviram
Quantas brincadeiras ocorreram em seu redor.

Ainda oiço a algazarra da matança do porco
O cheiro a pelos queimados
A correria dos miúdos
Enfeitiçados pela euforia
Na disputa de quem chegaria mais perto.

Pairam no ar os lamentos
De quem se arrastava rua acima
Entorpecido pelo frio e pela idade.

A água continua ali
Caindo sem cessar
Cantando indiferente a quem passa
Como uma donzela transbordando de frescura.

Ficaria de bom grado horas perdidas a escutá-la
De olhos fechados e um sorriso rasgado
Ali onde começa o passado cada vez mais longe.

Autor: José Manuel Alves

Belezas no Inverno

    
 


CHUVA AMOR
De repente a chuva caía no telhado
Como um sussurro romântico no ouvido
Hino sem letra, arrebatador, improvisado
Eco de lágrimas, calmante repetido.


De repente chovia! Chovia! Chovia!
Como se etéreos deuses partilhassem
Da cumplicidade dos amantes que se uniam
E em complexa simbiose se restassem.


AH! Chuva impiedosa e inclemente
Que fustigas e te confundes nos beijos
Em convulsão apaixonada e ardente


Concede-nos esta noite um privilégio
Encharcas-nos de amor, intensamente
Afoga-nos na loucura do desejo.



Autor-José Manuel Alves

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

PORQUE É NATAL

PORQUE É NATAL
Os bolsos cheios de nada
Uma vida sem razão
Uma dor que nos abafa
De lágrimas, és meu irmão.


Cruéis tormentos atrás
De quem foge da desgraça
Porque há quem fale de paz
E compre a guerra na praça.


Refrão
Natal é um dia diferente
Neste mundo desigual
Queria abraçar toda a gente
Queria isentá-los do mal.


Façamos o que é preciso
Deste sonho, um novo ideal
Em cada rosto um sorriso
Porque é Natal.



A fome que continua
Não podemos ignorar
Crianças pobres na rua
Na sombra do nosso olhar


O dinheiro tudo ergue
E tudo pode arrasar
Aos povos do mundo inteiro
Sobram-lhes as mãos pra rezar


Reportório Grupo Coral da Analor
Letra e musica
José Manuel Alves