segunda-feira, 29 de dezembro de 2025


 

O MAR TUDO ME DIZ, TUDO ME CONTA

Olho o mar e fico a pensar
O mar tudo me diz
Tudo me conta.

O oceano é um grito plangente
Em mística linguagem
Aos meus ouvidos
Como um cavalo a trote
Afugentado por melodias
De voz amarga

O mar é tão grande
Que não cabe na minha janela
De tão inquieto e arisco
Nem um punho de força o prende
Perdido que fica entre as lamúrias
Das ladainhas e preces de morte anunciada.

As sereias são as suas namoradas
E agitam-se enciumadas
Afogando as traineiras
Em mistérios e lendas
Num constante derrubar.

O mar é lonjura
É sal de lágrimas
È maldição das vagas
Explodindo em arco na areia da praia
Num ribombar gritante
De cólera incontida.


Versos de fascínio e magia
Secretismos de lonjuras
Baloiçam ao entardecer
Em alisamentos suaves
De Inconsequente acalmia.

Ajoelho-me na areia
Olho o mar e fico a escutar
O mar tudo me diz
Tudo me conta.
Autor: José Manuel Alves

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