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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

 

 

INCOMPREENSÕES

 

No silêncio de palavras não ditas,

Nascem dúvidas nas entrelinhas.

O olhar pede abrigo, mas evita,

 A verdade talvez se esconda nas esquinas.

 

São gestos que não se explicam,

 Sentimentos à deriva,

Por onde andará a razão?

O mundo gira, e ninguém compreende

O peso sutil da incompreensão.

 

Entre vozes cruzadas e sonhos calados,

 Crescem muros de sombra e receio.

Erguidos no instante mais inesperado,

O bom senso, escapuliu-se pelo meio.

 

Breve encontro de olhares perdidos,

Onde as palavras mudas soam alto,

Faz-se o julgamento dos silêncios

Vagueando por caminhos. Condenados!

 

A vontade perdeu-se na noite

Pulando vedações e muros, sem encontrar,

 enfim, no outro, um reflexo do seu ser

 capaz das sombras dissipar

 e iluminar o caminho por acontecer.

José Manuel Alves

domingo, 25 de agosto de 2019

ESCULTURAS DA NATUREZA























A Natureza







Olho a Natureza e o que sinto?
A pele arrepiada, os olhos esbugalhados
O inconformismo de não entender
Porque nos surpreendemos e exaltamos
Quando sentimos o aproximar do incompreensível manifesto
Do universo pleno
Incomensurável mas simplicista
Que nos seduz e reduz
À insignificância do nada.




Autor: José Manuel Alves

quarta-feira, 18 de julho de 2018

ONDAS ESPIRRADAS





AS ONDAS, UMA A UMA
As ondas, uma a uma
Como novelos de espuma
Desfazem-se como algodão
Na minha mão.

Um canto molhado e doce
Quem as criou?
Quem as trouxe?
Quem lhes incutiu aquele arrastar lamentoso
Numa dança de agonia enrouquecida
Como poetas famintos
Surfando labirintos de inconfidências
Em versículos descoloridos.

Lentamente, uma a Uma
Com a paciência de quem é dono da eternidade
Com a maciez da sumaúma
Num gesto de poder e de vaidade
Vestem as rochas de espuma
E afogam-nas sem piedade
 


Ah! Este mar! Este deserto
Estes cânticos de sereias a rezar
Este feitiço de o olhar de longe ou perto
Augúrios de pescadores a estrebuchar
Perdidos na imensidão deste deserto
Mãos erguidas, vidas a definhar.

São assim as ondas
Uma a uma
Vestidas de rendas e de espuma
Que se desfaz como o doce algodão
Entre os dedos da minha mão.
Quem as criou?
Quem as trouxe?


Autor: José Manuel Alves