terça-feira, 18 de março de 2014

GARGANTA DE LORIGA



A GARGANTA

A garganta que me espanta
Que me seduz e encanta
Na alternância das águas vagarosas
Serpenteando serenas
Como um rio de cristal
Ou revoltas como enfeitiçadas
Na pressa com que galgam afoitas os penhascos
Desenhando caminhos de incerteza
Em direção ao fundo
Extravasando os obstáculos que as prendem
Caindo inertes em cascatas  e bicarões
 Sobre as pedras mudas e disformes
Que as dividem e as encaminham  na ribeira.


Gélidas , e cristalinas
Descem pelas encostas
Entoando cânticos de notas  irrequietas
Rodopiando nas “piorcas”
Como moinhos de água mole
Desgastando a dureza das pedras
Abrindo inquietantes covas redondas
Profundas e arrepiantes 
Nas fragas que brilham com laivos de diamantes.
Quando o sol do meio-dia
Incide sobre a mica e o quartzo do granito.

 Perdem-se os nossos olhos no espanto
Do encanto que nos atrai e conquista
Sempre que olhamos a garganta.
Seja de cima ou de baixo
Silenciosa e bela
Convidando-nos a segui-la.

Autor: José Manuel Alves



sábado, 1 de fevereiro de 2014

VELEIROS



VELEIROS

Falo do mar
Das serenas águas
Do palpitar
Do veleiro rasgando as ondas
Adivinhando novos rumos.

Em aprumo
As velas à bolina
São janelas batidas pelo vento
Onde se espreita a proa
Perdida nos caminhos de água.

À toa
O veleiro amarrada ao imaginário do teu sentir
Sinto-o no odor salgado das amarras
Em dias de maus ventos
Enquanto relembro a hora do regresso
Na ansiedade da brisa da praia.

O veleiro brioso
Ufano, vaidoso
Tem mastros aprumados e esguios
Como espadas navegando as ondas
Cravadas num despudor atrevido
Na sensualidade estonteante
Das águas encrespadas de fúria.
Veleiro dos meus rumos
Veleiro dos meus sonhos
Nas tuas velas escrevo versos
Palavras aturdidas de mágoas
Navegando sobre as águas
Como golfinhos junto à praia.

José Manuel Alves