sábado, 1 de fevereiro de 2014

VELEIROS



VELEIROS

Falo do mar
Das serenas águas
Do palpitar
Do veleiro rasgando as ondas
Adivinhando novos rumos.

Em aprumo
As velas à bolina
São janelas batidas pelo vento
Onde se espreita a proa
Perdida nos caminhos de água.

À toa
O veleiro amarrada ao imaginário do teu sentir
Sinto-o no odor salgado das amarras
Em dias de maus ventos
Enquanto relembro a hora do regresso
Na ansiedade da brisa da praia.

O veleiro brioso
Ufano, vaidoso
Tem mastros aprumados e esguios
Como espadas navegando as ondas
Cravadas num despudor atrevido
Na sensualidade estonteante
Das águas encrespadas de fúria.
Veleiro dos meus rumos
Veleiro dos meus sonhos
Nas tuas velas escrevo versos
Palavras aturdidas de mágoas
Navegando sobre as águas
Como golfinhos junto à praia.

José Manuel Alves


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

JANELA DE GRADES

JANELA DE GRADES



Na frívola cegueira da realidade

Resta-se o sonho aprisionado

Num ostensivo canteiro de cruzes de ferro

Plantadas na laje fria da janela.



Cansou-se a garganta de violar silêncios

Clamando no vazio escuro

A ignomínia dos dias expurgados de sol.

Confundiram-se cedo na ferrugem as últimas lágrimas

Agitadas pelo vento sorrateiro que espreita a janela

Atiçado pela nortada de inverno.





Estranho e falso este calor aparente

Este pulsar profanado da alma inconquistada

Senhora incontestável do destino

Vergada que não foi à ira obsessiva e cega

Das ideias amortalhadas

De quem se intitula senhor do mundo.



Autoria: José Manuel Alves


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

GOTAS DE ÁGUA



Gotas de água

Como estrelas cadentes em desafio
Escorrendo céleres na vidraça
Deixam no pensamento um rasto frio
Tremulante, a cada hora que passa

Céleres, vítreas e cristalinas
Baloiçam ao vento até secar
Inocentes como olhos de menina
Com laivos de estrelas sem luar

Gotas são lágrimas de moçoila
São perolas de luz a realçar
Um vestido vermelho de papoila
No perfeito tempo do verbo amar.


Autor: José Manuel Alves