segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

JANELA DE GRADES

JANELA DE GRADES



Na frívola cegueira da realidade

Resta-se o sonho aprisionado

Num ostensivo canteiro de cruzes de ferro

Plantadas na laje fria da janela.



Cansou-se a garganta de violar silêncios

Clamando no vazio escuro

A ignomínia dos dias expurgados de sol.

Confundiram-se cedo na ferrugem as últimas lágrimas

Agitadas pelo vento sorrateiro que espreita a janela

Atiçado pela nortada de inverno.





Estranho e falso este calor aparente

Este pulsar profanado da alma inconquistada

Senhora incontestável do destino

Vergada que não foi à ira obsessiva e cega

Das ideias amortalhadas

De quem se intitula senhor do mundo.



Autoria: José Manuel Alves


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

GOTAS DE ÁGUA



Gotas de água

Como estrelas cadentes em desafio
Escorrendo céleres na vidraça
Deixam no pensamento um rasto frio
Tremulante, a cada hora que passa

Céleres, vítreas e cristalinas
Baloiçam ao vento até secar
Inocentes como olhos de menina
Com laivos de estrelas sem luar

Gotas são lágrimas de moçoila
São perolas de luz a realçar
Um vestido vermelho de papoila
No perfeito tempo do verbo amar.


Autor: José Manuel Alves

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Adeus CARLOS


Hoje morreu um homem que


 nos conquistou pela simplicidade e pelo vigor da sua alegria. Um amigo, um irmão
descansa em Paz Carlos.

UM DIA NOS ENCONTRAMOS POR AÍ

Estáticos e mudos no adeus da separação
No atravessar de muros e destinos interrompidos
Tanto ficou por dizer e por fazer
Jamais voltaremos a falar de poesia
De banalidades, ou fotografia
Tão pouco voltarei a sorrir
Na alegria das tuas graças.

Vivemos sob a alçada implacável da vida
Que desde o tempo de escola nos rouba os amigos
E os consome no turbilhão fantástico do esquecimento.
Dificilmente voltaremos a zombar com ironia
Dos assuntos sérios, ou demagogia
Tão pouco voltarei a buzinar ao teu aceno
Na ultrapassagem irreverente da avenida

Tangenciamos tantas vezes os nossos caminhos
Repartimos angústias, ansiedades e conquistas
Deixaste connosco a saudade da Primavera.
Dificilmente voltaremos a falar de astrologia
De bola, filmes, audácias ou até de fobia
Tão pouco voltaremos a sorrir
No contágio da tuas histórias divertidas.

Mais uma pedra se junta no muro da separação
O começar de destinos divergentes
O pressentimento e último olhar
Para alguém prestes a ser engolido pelo tempo.

No carrocel estonteante das incertezas
Quem sabe?
Quando nos reencontraremos por aí?

Autor: José Manuel Alves