quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Adeus CARLOS


Hoje morreu um homem que


 nos conquistou pela simplicidade e pelo vigor da sua alegria. Um amigo, um irmão
descansa em Paz Carlos.

UM DIA NOS ENCONTRAMOS POR AÍ

Estáticos e mudos no adeus da separação
No atravessar de muros e destinos interrompidos
Tanto ficou por dizer e por fazer
Jamais voltaremos a falar de poesia
De banalidades, ou fotografia
Tão pouco voltarei a sorrir
Na alegria das tuas graças.

Vivemos sob a alçada implacável da vida
Que desde o tempo de escola nos rouba os amigos
E os consome no turbilhão fantástico do esquecimento.
Dificilmente voltaremos a zombar com ironia
Dos assuntos sérios, ou demagogia
Tão pouco voltarei a buzinar ao teu aceno
Na ultrapassagem irreverente da avenida

Tangenciamos tantas vezes os nossos caminhos
Repartimos angústias, ansiedades e conquistas
Deixaste connosco a saudade da Primavera.
Dificilmente voltaremos a falar de astrologia
De bola, filmes, audácias ou até de fobia
Tão pouco voltaremos a sorrir
No contágio da tuas histórias divertidas.

Mais uma pedra se junta no muro da separação
O começar de destinos divergentes
O pressentimento e último olhar
Para alguém prestes a ser engolido pelo tempo.

No carrocel estonteante das incertezas
Quem sabe?
Quando nos reencontraremos por aí?

Autor: José Manuel Alves

quarta-feira, 30 de outubro de 2013



A PONTE

Sou a passagem entre o aqui e o além
Trago do passado a força do saber
O eco dos passos nos caminhos cansados.

Sou memória de fantasmas vivos
De rostos esvaziados de vida
De conversas engolidas
que nem o tempo, nem os homens calaram.

Ergo-me numa simplicidade majestosa
De quem tanto viu e sentiu
Venho do fundo das mágoas
Do limite das vontades.
Lego a esperança aos olhares ansiosos
Que aqui me  atravessam e  se perdem no além

Corre-me no granito frio
A vontade de consumir gerações
E de me restar reflectida
no espelho das águas paradas
Aqui deste lado
de braços abertos até ao infinito..
 

José Manuel Alves Set/2010