segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A gruta



A Natureza



Olho a Natureza e o que sinto?

A pele arrepiada, os olhos esbugalhados

O inconformismo de não entender

Porque nos surpreendemos e exaltamos

Quando sentimos

O aproximar do incompreensível manifesto

Do universo pleno

Incomensurável mas simplicista

Que nos seduz e reduz

À insignificância do nada.



Autor: José Manuel Alves





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LORIGA DE OUTRA COR


LORIGA DE OUTRA COR

Fotografei-a de lado
De cima e por baixo
Percorrendo a Vila inteira
Do cabeço ao mirante
Da Portela à ribeira
Num incansável desafio

Na Primavera e no Outono
De Inverno e de Verão
Nos baixios e da serra
De qualquer maneira
De verde ou de branco
Sempre me rendi de espanto
À beleza da nossa Terra.

Subi à Vista Alegre
Experimentei lá no alto
Não contente
Virei-me para poente
Soneguei a cor
Em dia de céu dramático
Com nuvens de tempestade.

Quando previa o pior
Na sua plena beleza
Brindou-me a natureza
Com esta imagem surreal.

Assim é Loriga
Infindável e apaixonante
Para quem a ousa descobrir.

José Manuel Alves

BELEZA IMACULADA


sábado, 3 de agosto de 2013

A árvore que grita

O GRITO

Eu grito
Tu gritas
As árvores gritam
Quando todos falam baixo
E a surdez aflige.
E os gritos sobem degraus
Nos propósitos do compreensível desabafo.

Afoguem-se os desejos da hipocrisia
Amordacem os sorrisos da ironia
A singeleza do grito impera vibrante
Sobre a força amordaçada e nua.

O nosso grito ecoa na esperança
Dos homens sãos
Sem grades nem armaduras
No desafogo do alvorecer.

Clamamos pela verdade
Pelo renascer da justiça
Com braços longos e certeiros
Que amenize a dor dos gritos
E a desigualdade dos aflitos.

Por isso eu grito
Tu gritas
E até as árvores gritam.

Autor: José Manuel Alves

terça-feira, 30 de julho de 2013

Gaivotas



VERSOS NA BRUMA



Amores são como gaivotas perdidas

Voando ao alcance da minha mão

Tocam tangencialmente as nossas vidas

Acomodam-se no nosso coração

Tantas vezes sem critérios nem medidas

Tantas vezes contra a lógica e a razão



Diz-me meu amor! O que são versos?

Palavras afogadas nesta espuma

Ora unidos numa rima, ora dispersos

Pétalas de flor que caiem uma a uma

O coração torna-se dono do universo

E os sonhos escravos desta bruma.



Descompassado bater de asas aflitas             

Este arrepio de silêncio e ansiedade           

As mágoas choram lágrimas contritas

Rasgam-se as neblinas da verdade     

Varre o vento as sílabas restritas

E que resta dos versos? A saudade!



Num aligeirado aperto de garganta

Augúrio triste de penas e sufoco

Rasga-se em gargalhadas de espanto

O sonho que a maresia deixa louco

Cobre-se de incertezas como um manto

Lentamente, devagar e pouco a pouco



Diz-me meu amor! O que são versos?





Autor: José Manuel Alves