sábado, 13 de abril de 2013

A PRIMAVERA





 A PRIMAVERA



Acalmou-se a ribeira enfurecida

Desce agora, em paz

No seu leito selvagem

Ladeado aqui e além

Por salgueiros e giestas dançando na brisa

Desafiando a mudez dos cômbaros

Esgarrados pelas silvas

Num sereno convite a despertar.



Já não se vê a neve na Penha de Águia

Calou-se o vento na garganta

Solta-se o zimbro do cativeiro

Esvazia-se o curral

O gado enche todo o nosso olhar de sons

Num concerto despautado

Dos chocalhos descompassados e melancólicos.



Na surreal magia

As flores

Como um grito apaixonado

Soltam no ar os seus odores

Vestem-se de vivas cores

E o amanhecer nebulado

Da natureza severa

Gera um sol alaranjado

E em jeito de recado

Reinicia a Primavera

autoria:

José Manuel Alves


quinta-feira, 11 de abril de 2013

sábado, 30 de março de 2013

O PESCADOR SEM MEDO



PESCADOR
Um dia serei pescador
Aventureiro nos mares
Cavalgando as ondas
Como cavalos de vento.
Um dia serei pescador
Com o punhado de saber
Que trouxe dos meus sonhos de criança
Quando morria de ansiedades
Na imensidão da cana
Que partia de nós em direcção
Às ondas de peixes esquivos.

Um dia serei pescador
Na sombra que o teu corpo curvado
Deixou vincada de saudades
Nas rochas da minha infância.

Um dia serei pescador
E trarei do mar
O eco das palavras
Que mansamente ditaste
No meu livro de recordações vivas.

Autor
José Manuel Alves

 

O MOINHO




O MOINHO
Meu moinho renovado                    
Já não móis os cereais.
Paredes, e pouco mais
È o teu sonho transformado

Onde estão as tuas velas
Enfunadas à tardinha
Brancas, da cor da farinha
Sempre alvas, sempre  belas

Onde está o teu moleiro
Vergado ao peso da vida
Arrastando-se na lida
Sol a sol o dia inteiro

Meu moinho renovado
Espreitando ao longe o Tejo
Fecho os  olhos e que vejo?
A tua glória! o teu passado

Autor
José Manuel Alves


domingo, 17 de março de 2013

MUSGO




O MUSGO

Na terra em que tudo é belo
Não deveria o musgo, sê-lo?
Mãos de criança ao colhe-lo
Inocentes! afinal
O musgo verde e viçoso
Irá colorir, vaidoso
Os presépios de Natal.

Musgos da cor dos teus olhos
Num tapete de esperança
Ficaram-me na lembrança
Num passado surreal
Num pensamento saudoso
O musgo fino e sedoso
Enfeitando o meu Natal

O pastor e as ovelhas
De grosso cartão desenhados
Os caminhos polvilhados
De farinha grossa e usada
Espelhos brilhando nos lagos
Pontes de arcos enfeitados
No patamar da minha escada

No musgo verde e viçoso
Redescobri-me criança
Veio-me hoje à lembrança
O passado primoroso
E no musgo pequenino
Fui rei com o Deus menino
No meu presépio saudoso.

Autor: José Manuel Alves