quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PARTIDA




PARTIDA

Eu Parto
tu partes
deixando um pouco do que trouxemos
levando um pouco do que encontrámos
Apaziguando esta  insaciável sede
De tudo  saber! tudo olhar.

As amarras  estão soltas
Os acenos calaram-se
O apito rasgado da partida
Acabou  de editar mais uma página de recordações.

sonhamos outras chegadas
Outros portos de sorrisos rasgados!
acenos perdidos….
num completo rodopio desvairado
No carrocel de  fantasia
Do nosso mundo de ilusões e sonhos

Autor: José Manuel Alves

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O MAR TUDO ME DIZ TUDO ME CONTA





O MAR TUDO ME DIZ , TUDO ME CONTA



Olho o mar e fico a pensar

O mar tudo me diz

Tudo me conta.



O oceano é um grito plangente

Em mística linguagem

Aos meus ouvidos

Como um cavalo a trote

Afugentado por melodias

De voz amarga



O mar é tão grande

Que não cabe na minha janela

De tão inquieto e arisco

Nem um punho de força o prende

Perdido que fica entre as lamúrias

Das ladainhas e preces de morte anunciada.



As sereias são as suas namoradas

E agitam-se enciumadas  

Afogando as traineiras

Em mistérios e lendas

Num constante derrubar.



O mar é lonjura

É sal de lágrimas

È maldição das vagas

Explodindo em arco na areia da praia

Num ribombar gritante

De cólera incontida.





V ersos de fascínio e magia

Secretismos de lonjuras

Baloiças ao entardecer

Em alisamentos suaves

De Inconsequente  acalmia.



Ajoelho-me na areia

Olho o mar e fico a escutar

O mar tudo me diz

Tudo me conta.



Autor: José Manuel Alves





quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O TELEFÉRICO




O TELEFÉRICO

Sempre em contínuo vai vém
O teleférico num instante
Vai daqui até além.

Como asas de condor
Voam rasantes a paisagem
Presos aos cabos com vigor
Nas torres e na ancoragem

Os corações a galope
Baloiçam no movimento
Descompassados, a trote
Nas ousadias do vento

Com um olhar cadavérico
Entre o medo da viagem
No compartimento esférico
Inventamos a coragem

No vagaroso vai vem
Em movimento genérico
Depressa estamos no além
Inteiros no teleférico.

Autoria. José Manuel Alves

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Crepúsculo


CREPÚSCULO

Aos poucos o endoidar do tempo
Despeja no crepúsculo um sol cansado
As horas suspiram o entardecer
Nas sombras que se vestem de luto.

Queria tanto acreditar na verdade
Dos teus passos repisando as pegadas
Que os meu pés apressados
Esculpiram na areia molhada da praia


Queria tanto
Que esta luz doirada que persiste e me cega
Me iluminasse no estonteante reaver
Das cinzas da nossa paixão dolente
Que o vento vaidoso e cruel
Espalha sobre as ondas suaves

As tuas mãos nas minhas
Erguidas como uma espada
Foram um monumento de crer
No incontável arrebatador destino
Que desenhamos dias a fio.

As horas suspiram no entardecer
Já nem o tic tac cansado do relógio
Apazigua o cavalgar do esquecimento
Nem o céu ornado de cetim
Acalma os meus olhos
Desmesuradamente abertos
De incrível espanto.

Queria tanto que o sol nascesse agora
E acendesse no teu rosto a Primavera
Como no Primeiro dia
Em que peguei na tua mão e disse:
Anda! Vamos ver o mar.

Autor: José Manuel Alves