quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Crepúsculo


CREPÚSCULO

Aos poucos o endoidar do tempo
Despeja no crepúsculo um sol cansado
As horas suspiram o entardecer
Nas sombras que se vestem de luto.

Queria tanto acreditar na verdade
Dos teus passos repisando as pegadas
Que os meu pés apressados
Esculpiram na areia molhada da praia


Queria tanto
Que esta luz doirada que persiste e me cega
Me iluminasse no estonteante reaver
Das cinzas da nossa paixão dolente
Que o vento vaidoso e cruel
Espalha sobre as ondas suaves

As tuas mãos nas minhas
Erguidas como uma espada
Foram um monumento de crer
No incontável arrebatador destino
Que desenhamos dias a fio.

As horas suspiram no entardecer
Já nem o tic tac cansado do relógio
Apazigua o cavalgar do esquecimento
Nem o céu ornado de cetim
Acalma os meus olhos
Desmesuradamente abertos
De incrível espanto.

Queria tanto que o sol nascesse agora
E acendesse no teu rosto a Primavera
Como no Primeiro dia
Em que peguei na tua mão e disse:
Anda! Vamos ver o mar.

Autor: José Manuel Alves

domingo, 6 de janeiro de 2013

DESPERTAR -  Bossinha Despertar




Todas as fotos inseridas, foram captadas da minha varanda, em diferentes  horas do dia  e meses do Ano.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

NATAL



É NATAL É NATAL
Apenas, e tão só
24 Horas.
Em que deveríamos esquecer os egoísmos
E dar as mãos
Repensar que a vida é algo de efémero
Que não justifica os atropelos
A desumanização
O abandono
Reflectir que nem tudo vale a pena
Quando pomos em causa os valores e o respeito pelos outros.
Quando alguém esfomeado nos estende a mão
Quando crianças carregam desde a nascença
A culpa de terem nascido
Neste mundo cruel.
Afinal é Natal!
Tempo de sonhar que tudo poderia ser bem melhor
Tempo de olhar os outros e vermo-nos reflectidos
Nas suas angústias e desesperos
Nas suas alegrias e tristezas.

Vivemos no mesmo tecto
Olhamos as mesmas estrelas
Bebemos das mesmas fontes
Somos irmãos!
Os irmãos conhecem-se
E amam-se

FELIZ NATAL
Autor José Manuel Alves

sábado, 8 de dezembro de 2012

DA MINHA JANELA



É SEMPRE MADRUGADA

É sempre Madrugada
Quando falamos de amor
Como uma flor desabrochando
Num corpo de segredo

È sempre madrugada

Quando o dia acorda
No soluçar da voz
Trauteando mágoas
Pautadas em arrepios 
Enquanto no  horizonte
Esvoaçam as letras
Com que escrevemos saudade
Sempre que num curto lampejo
Os teus olhos me golpeiam de tentações
E se refugiam nas sombras da calçada.

O amanhecer

É um silêncio magoado
Entre os abraços fugidios
E os beijos fortuitos dos amantes
Emparedados na incerteza do tempo
Afgogados nos rios  de ilusões.

O amanhecer

É como uma esmola feiticeira
Guardada com avareza, à cautela
Sempre que falamos de amor
E nos perdemos em delírios
Num corpo de segredo.

Autor: José Manuel Alves


sexta-feira, 30 de novembro de 2012


POEMA DAS CEGONHAS

Do alto do seu ninho espreitam

Desconfiadas, altivas e tristonhas
Num encantado idílio de cegonhas
Rainhas do céu, que me deleitam

Os galhos são artes que flamejam

Com perícia, cada um entrelaçado
Na simplicidade de um trono adaptado
Ao reino dos homens que as invejam

Asas do tamanho de aventuras

Bicos alongados e bonitos
Pernaltas de caminhos infinitos
Senhoras dos céus e das alturas

Olho-as e penso com desdém

Bom seria partilhar essa magia
De percorrer os ares com a ousadia
De quem nada possui e tudo tem.

Autor: José Manuel Alves

terça-feira, 20 de novembro de 2012

LISBOA NOVA



MEU TEJO

Meu Tejo, meu amigo, meu regalo
Meu TejoLivro aberto de Histórias e viagens
Teu destino é morrer no oceano
O meu, é viver nas tuas margens

Tejo de maravilhas e de encantos
Como pontes serpenteando sobre as águas
Espreitar-te, è seduzir-me de espanto
Navegar-te, è esquecer tudo, até as mágoas

Espraiado nos nos pés desta Lisboa
Dormes o merecido sono dos marinheiros
Que de ti partiram e foram os primeiros
A descobrir outros mundos, gente boa

Quando as marés regressam das viagens
Trazem escritas saudades dos que se foram
Que de longe não esqueceram onde moram
Os que ficaram habitando as tuas margens.

Autor
José Manuel Alves

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


VERSOS NA BRUMA

Amores são como gaivotas perdidas
Voando ao alcance da minha mão
Tocam tangencialmente as nossas vidas
Acomodam-se no nosso coração
Tantas vezes sem critérios nem medidas
Tantas vezes contra a lógica e a razão

Diz-me meu amor! O que são versos?
Palavras afogadas nesta espuma
Ora unidos numa rima, ora dispersos
Pétalas de flor que caiem uma a uma
O coração torna-se dono do universo
E os sonhos escravos desta bruma.

Descompassado bater de asas aflitas
Este arrepio de silêncio e ansiedade
As mágoas choram lágrimas contritas
Rasgam-se as neblinas da verdade
Varre o vento as sílabas restritas
E que resta dos versos? A saudade!

Num aligeirado aperto de garganta
Augúrio triste de penas e sufoco
Rasga-se em gargalhadas de espanto
O sonho que a maresia deixa louco
Cobre-se de incertezas como um manto
Lentamente, devagar e pouco a pouco

Diz-me meu amor! O que são versos?

Autor: José Manuel Alves