terça-feira, 20 de novembro de 2012

LISBOA NOVA



MEU TEJO

Meu Tejo, meu amigo, meu regalo
Meu TejoLivro aberto de Histórias e viagens
Teu destino é morrer no oceano
O meu, é viver nas tuas margens

Tejo de maravilhas e de encantos
Como pontes serpenteando sobre as águas
Espreitar-te, è seduzir-me de espanto
Navegar-te, è esquecer tudo, até as mágoas

Espraiado nos nos pés desta Lisboa
Dormes o merecido sono dos marinheiros
Que de ti partiram e foram os primeiros
A descobrir outros mundos, gente boa

Quando as marés regressam das viagens
Trazem escritas saudades dos que se foram
Que de longe não esqueceram onde moram
Os que ficaram habitando as tuas margens.

Autor
José Manuel Alves

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


VERSOS NA BRUMA

Amores são como gaivotas perdidas
Voando ao alcance da minha mão
Tocam tangencialmente as nossas vidas
Acomodam-se no nosso coração
Tantas vezes sem critérios nem medidas
Tantas vezes contra a lógica e a razão

Diz-me meu amor! O que são versos?
Palavras afogadas nesta espuma
Ora unidos numa rima, ora dispersos
Pétalas de flor que caiem uma a uma
O coração torna-se dono do universo
E os sonhos escravos desta bruma.

Descompassado bater de asas aflitas
Este arrepio de silêncio e ansiedade
As mágoas choram lágrimas contritas
Rasgam-se as neblinas da verdade
Varre o vento as sílabas restritas
E que resta dos versos? A saudade!

Num aligeirado aperto de garganta
Augúrio triste de penas e sufoco
Rasga-se em gargalhadas de espanto
O sonho que a maresia deixa louco
Cobre-se de incertezas como um manto
Lentamente, devagar e pouco a pouco

Diz-me meu amor! O que são versos?

Autor: José Manuel Alves






sábado, 10 de novembro de 2012

PENAS


PENAS

Penas são mágoas
Baloiçando nas águas
Ou apenas
Angustia atrevida
Dançando no palco
Na cena da vida.

Penas são dores
Resquídeos de amores
Ou apenas
Aperto no peito
Cobrindo de chagas
Um amor contrafeito

Penas são gazuas
Feridas fundas e nuas
Ou apenas
Coração que faz
Novenas de fúrias
Famintas de paz.

Autor:
 José Manuel Alves

LISBOA E EU

LISBOA   E EU

Apenas o eléctrico violando de cor a rua vazia.
Um velho senhor guinchando nos trilhos
Indiferente e vaidoso
Com destino a algures perto do Rossio
No acordar da manhã pachorrenta e entediante.

Sento-me! Vazio de ideias
Olhar perdido na Avenida
Observando o paralelismo
Das linhas de desenho lógico
Alongadas na calçada polida.

Ao fundo o Tejo preguiçoso
De águas pachorrentas
Aqui e ali riscadas pelas gaivotas
Em voos obtusos
Em direcção ao mar.

Depois..
Só Lisboa e eu
Vazio de ideias.

Autor: José Manuel Alves

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

CAIS DOS AVIEIROS



O CAIS SAUDADE

Cada estaca é uma história      
Cada história é uma lida
Cada lida é uma vitória
Cada vitória uma vida

Cada tronco é uma saudade
Cada saudade é partida
Cada partida é maldade
Cada adeus é despedida

Cada tábua é um soalho
Cada soalho um caminho
Cada caminho um atalho
Cada atalho é um espinho

Cada corda é um cansaço
Cada cansaço um gemido
Cada  gemido um abraço
Cada abraço um sentido

Cada cais é uma lembrança
Cada lembrança uma dor
Cada dor é uma esperança
Cada esperança um amor.

Autor:José  Manuel Alves

sábado, 27 de outubro de 2012

ESPANTALHO


ESPANTALHO

Na escola da  minha rua
Há  um espantalho
Simpático e risonho
Com coração de palha

Mascarado de realidade
É tolerante e compassivo
Afasta os  corvos afoitos
Com melodias de improviso
Quando o vento agita
Os seus dedos de palha
Nas cordas da guitarra.


Na palidez da verdade
Só o espantalho se espanta
Entediado de pasmaceira
Estático e mudo de sol a sol
Na esperanças que algum pardal
Vadio e afoito
Faça o ninho nos seus cabelos eriçados 
  

Poucos reparam no espantalho
E a vida acontece em correria
Indiferente às lágrimas
Que o orvalho verte
No seu rosto de pano velho.

Por vezes
Quedo-me mudo
Tentando adivinhar o silêncio
Do seu sorriso
E ouvir o improviso mágico das melodias
Dedilhadas pelos seus dedos de palha
Agitados pelo vento.

Autor: José Manuel Alves



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PASSADO NO PRESENTE



PASSADO NO PRESENTE

Dúbias lembranças
Quando  a cegueira dos sonhos
Aflige  a sanidade da razão.

Pouco importa
Se o véu coberto de pó tinge de penas
O sorriso sarcástico desenhado a fogo
No renascer da esquina.

Cativamos no presente 
Imagens que trouxemos dos confins do tempo
Avidamente amealhadas num olhar cansado
Emergindo dum perpétuo fulgor
Como um vulto errando a esmo
No vendaval da memória que persiste
Em mesclar-se de sombras vadias.

Saudade é o inferno do que perdemos
Coração esvaziado, lábios amargos
Como pétalas caindo das gáveas
Devagar
Restando-se à tona dos sentidos.

Atiramos à fogueira o passado
Como roupa usada
Mas nunca certificamos as cinzas
Para confirmar se ardeu
Até que o clarim soa
E o comboio das recordações nos atropela.


Autor: José Manuel Alves