MUSICA - FOTOGRAFIA - POESIA * Fotografia em: http://josalvespt.podiumfoto.com/ * www.olhares.com/josalvespt
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
NA NEBLINA
MEU TEJO
Meu Tejo, meu amigo, meu regalo
Livro aberto de Histórias e viagens
Teu destino é morrer no oceano
O meu, é viver nas tuas margens
Tejo de maravilhas e de encantos
Como pontes serpenteando sobre as águas
Espreitar-te, è seduzir-me de espanto
Navegar-te, è esquecer tudo, até as mágoas
Espraiado nos pés desta Lisboa
Dormes o merecido sono dos marinheiros
Que de ti partiram e foram os primeiros
A descobrir outros mundos, gente boa
Quando as marés regressam das viagens
Trazem escritas saudades dos que se foram
Que de longe não esqueceram onde moram
Os que ficaram habitando as tuas margens.
Autor
José Manuel Alves
sábado, 6 de outubro de 2012
FOZ DO TRANCÃO
A PAISAGEM DUM SONHO
Como um rio adormecido
No abandono das marés idas
Sento-me e descanso
Nesta paisagem de beleza adivinhada.
Em tempos… imaginei o mar
Na ambição das minhas janelas.
Um navio de sonhos!
Velas de pensamentos!
Navegar à bolina ao sabor do acaso
Nas linhas sinuosas e
irreverentes
Duma juventude de destinos por editar.
Sulquei mundos de solidão
Onde se escreve saudade com palavras mordidas
Ali! onde as esperanças anoitecem em cada madrugada
E as mãos se retorcem ansiosas
Numa espera torturada.
Pela madrugada, quis voltar
Às saudades da paisagem do meu Tejo
Ancorado num azulejo de beleza adivinhada
Numa passividade arrepiante
Contando as horas
Até ao novo ressuscitar das marés
Autor: José Manuel Alves
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A CATEDRAL
A CATEDRAL
Avivam-se as cores da Igreja no meu olhar
Cada postigo acende-se com o sol esgueirando-se pelos vitrais.
Enchem-se os ouvidos com os sons das ladainhas
Dies irae …dies illa…
Arrepiando de penumbra as luzes esmorecidas
Que cavalgam em carrocel as abobadas do teto.
Deslizo o olhar nas linhas de esplendor
Unidas ao alto como mãos fervorosas
Em contrições arrependidas
Tingidas de nevoeiro de incensos fumegantes
De odores intensos e adocicados.
Como um prumo
Cai ao centro o candelabro
Espreitando as telas de cores generosas e quentes
Em remoinho pelas paredes e ogivas
Atravessadas por cruzes carregadas de penitências.
Baixo o olhar até ao chão
Sento-me calado em pensamentos
Em recolhido silêncio Embalado nas palavras
Que do coro se soltam como borboletas agoirentas.
Dias de ira, aqueles dias.
Autor
José Manuel Alves
domingo, 16 de setembro de 2012
VENTO NAS ONDAS
A Natureza
Olho a Natureza e o que sinto?
A pele arrepiada, os olhos esbugalhados
O inconformismo de não entender
Porque nos surpreendemos e exaltamos
Quando sentimos
O aproximar do incompreensível manifesto
Do universo pleno
Incomensurável mas simplicista
Que nos seduz e reduz
À insignificância do nada.
Autor: José Manuel Alves
terça-feira, 11 de setembro de 2012
pôr do sol - Aljezur
NOSTALGIAS AO PÔR DO SOL
Deixa-me inventar sorrisos nas tristezas
Primaveras no Inverno dos teus dias
Lumes de silêncio, pavio de alma acesa
Prece no entardecer de mãos esguias
Morre tarde o sol no dia pasmacento
Numa revolta muda e irada que agonia
Grito de boca muda, apelo ao vento
Vazando a noite até ser dia
As minhas ilusões, quero vivê-las
Em febres de ansiedade, sem tormento
Acalentadas paixões, quero bebê-las
Embriagar-me e olhar enchendo a taça
Da vida que da eternidade é só momento
Onde tudo se desvanece e tudo passa.
Photo e Poesia : José Manuel Alves
~
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
ONDAS
AS ONDAS, UMA A UMA
As ondas, uma a uma
Como novelos de espuma
Desfazem-se como algodão
Na minha mão.
Um canto molhado e doce
Quem as criou?
Quem as trouxe?
Quem lhes incutiu aquele
arrastar lamentoso
Numa dança de agonia
enrouquecida
Como poetas famintos
Surfando labirintos de
inconfidências
Em versículos descoloridos.
Lentamente, uma a Uma
Com a paciência de quem é
dono da eternidade
Com a maciez da sumaúma
Num gesto de poder e de
vaidade
Vestem as rochas de espuma
E afogam-nas sem piedade
HÁ! Este mar! Este deserto
Estes cânticos de sereias a
rezar
Este feitiço de o olhar de
longe ou perto
Augúrios de pescadores a
estrebuchar
Perdidos na imensidão deste
deserto
Mãos erguidas, vidas a
definhar.
São assim as ondas
Uma a uma
Vestidas de rendas e de
espuma
Que se desfaz como o doce algodão
Entre os dedos da minha mão.
Quem as criou?
Quem as trouxe?
Autor: José Manuel Alves
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