domingo, 16 de setembro de 2012

VENTO NAS ONDAS




A Natureza

Olho a Natureza e o que sinto?
A pele arrepiada, os olhos esbugalhados
O inconformismo de não entender
Porque nos surpreendemos e exaltamos
Quando sentimos
O aproximar do incompreensível manifesto
Do universo pleno
Incomensurável mas simplicista
Que nos seduz e reduz
À insignificância do nada.

Autor: José Manuel Alves

terça-feira, 11 de setembro de 2012

pôr do sol - Aljezur


NOSTALGIAS AO PÔR DO SOL

Deixa-me inventar sorrisos nas tristezas
Primaveras no Inverno dos teus dias
Lumes de silêncio, pavio de alma acesa
Prece no entardecer de mãos esguias

Morre tarde o sol no dia pasmacento
Numa revolta muda e irada que agonia
Grito de boca muda, apelo ao vento
Vazando a noite até ser dia

As minhas ilusões, quero vivê-las
Em febres de ansiedade, sem tormento
Acalentadas paixões, quero bebê-las

Embriagar-me e olhar enchendo a taça
Da vida que da eternidade é só momento
Onde tudo se desvanece e tudo passa.


Photo e Poesia : José Manuel Alves
~

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ONDAS



AS ONDAS, UMA A UMA

As ondas, uma a uma
Como novelos de espuma
Desfazem-se como algodão
Na minha mão.

Um canto molhado e doce
Quem as criou?
Quem as trouxe?
Quem lhes incutiu aquele arrastar lamentoso
Numa dança de agonia enrouquecida
Como poetas famintos
Surfando labirintos de inconfidências
Em versículos descoloridos.

Lentamente, uma a Uma
Com a paciência de quem é dono da eternidade
Com a maciez da sumaúma
Num gesto de poder e de vaidade
Vestem as rochas de espuma
E afogam-nas sem piedade

HÁ! Este mar! Este deserto
Estes cânticos de sereias a rezar
Este feitiço de o olhar de longe ou perto
Augúrios de pescadores a estrebuchar
Perdidos na imensidão deste deserto
Mãos erguidas, vidas a definhar.

São assim as ondas
Uma a uma
Vestidas de rendas e de espuma
Que se desfaz como o doce algodão
Entre os dedos da minha mão.
Quem as criou?
Quem as trouxe? 

Autor: José Manuel Alves

domingo, 26 de agosto de 2012

CONVENTO DO CARMO




RUINAS DA IGREJA     

Quem te disse que a vida é eterna flor
Quem sobre ti escreveu eternidade
Quem te revestiu de árvores de saudade
Alguém que nunca soube o que é o amor

Crescem-te nas entranhas vivas flores
Que Na Primavera espreitam à janela
Como querendo prostrar-se na lapela
Dos que passam indiferentes às tuas dores

Quem te abandonou? Que importa?
O Inverno já espreitou a tua porta
Não é a vida um constante derrubar?

Outrora eras Igreja, eras menina  
Hoje o teu destino é a ruína
Ruindo… ruindo até tombar.

Autor:
José Manuel Alves






sábado, 25 de agosto de 2012




O VELHO MOINHO

Girando, Girando
Perdido no tempo
No contínuo milagre
De transformar o milho e o centeio
No pão de cada dia.

Girando ,girando
Como cantando
Ao ritmo da mó
Que a água da ribeira entontece
Sem  dó
Em círculos infinitos.

Girando, girando
És um senhor
Sem tempo, sem idade
Na eternidade das lembranças
De tantas crianças
Que sabem de cor
A melodia de cadência ritmada
Do arrastar da pedra sobre pedra.

Girando, girando
Resistindo ao caruncho
E ao progresso…
Deixa-nos mudos
No regresso
Às histórias e recordações de infância
Escritas na memória
Em livros de letras douradas.

Autor: José Manuel Alves

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

LISBOA



RUAS

Por estas ruas me vou
Carregando horas de fantasia
Pensamentos perdidos , algures
Entre os desenhos lógicos da calçada.

Eu cantaria mesmo que o sol não existisse
Mesmo que tivesse de inventar
versos nas sombras lentas dos teus olhos.
Eu sorriria mesmo que as palavras
Se afundassem em sílabas de agonia lenta
Rimas geradas
Na eloquência do teu silêncio sentido.
Eu amaria mesmo que não houvesse flores
em cada esquina inventaria o teu sorriso
em cada pedra escreveria uma letra do teu nome
e com elas inventaria novas ruas como esta
por onde me vou
carregando pensamentos de fantasia.

Autor: José Manuel Alves