sexta-feira, 24 de agosto de 2012

LISBOA



RUAS

Por estas ruas me vou
Carregando horas de fantasia
Pensamentos perdidos , algures
Entre os desenhos lógicos da calçada.

Eu cantaria mesmo que o sol não existisse
Mesmo que tivesse de inventar
versos nas sombras lentas dos teus olhos.
Eu sorriria mesmo que as palavras
Se afundassem em sílabas de agonia lenta
Rimas geradas
Na eloquência do teu silêncio sentido.
Eu amaria mesmo que não houvesse flores
em cada esquina inventaria o teu sorriso
em cada pedra escreveria uma letra do teu nome
e com elas inventaria novas ruas como esta
por onde me vou
carregando pensamentos de fantasia.

Autor: José Manuel Alves



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

LISBOA


LONJURA

Tão perto de tão longe estás que não resisto
Transformar as avenidas de Lisboa
Em gaivotas de luz, voando à toa
E procurar-te onde decerto tu existes.

Estendo a mão, convicto, toco em ti
Como se o teu corpo do meu se desprendesse
E num longínquo abraço estremecesse
Tão distante mas tão próxima te senti

Se para te ver o pensamento atravessasse
A luz que os teus olhos irradiam
Não haveria obstáculo que o travasse

Teus olhos outros olhos não veriam
Tão-somente aqueles de quem te amasse
E tão perto, de desejo arderiam.

Autor: José Manuel Alves




sábado, 11 de agosto de 2012

PAPOILA






PAPOILAS
Rubro incandescente e altivo
Sobre o trigal.
Papoilas são gritos
Gargalhadas de sangue
Labaredas de lume
Nas cores mansas do pastoreio.

Odores de venenos libertinos
Estames de ópio viciante
Desafios à inocência serena
No vermelho de esperança
Das hastes e corolas aveludadas.

Papoilas
São obras de arte
Belezas alucinantes em sobressalto
Primaveras angustiadas
Aguardando as foices de dentes ávidos
Nas mãos de moçoilas de olhar ausente.

Esquecidas...
Restam-se no chão
Esvaindo-se lentamente
Como gargalhadas de sangue
Entre as ervas daninhas do restolho

 Autor. José Manuel Alves






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O NOSSO OLHAR NO MAR




O NOSSO OLHAR, NO MAR

Em frente o mar, inocente imaginado
Um telúrico de beleza incandescente
Que apazigua  o olhar arguto, apaixonado
No vaivém dos caminhos do poente

Mar invicto que saboreio nesta  imagem
Que de tão bela a pele queimada se arrepia
Deambula o pensamento na miragem
No alongamento do teu olhar de maresia

Onda inventada numa praia de aventura
Arrastando o coração e o pensamento
Indiferentes ao mundo que murmura

Enciumado e insensível, como o vento
Que nos segreda num momento de loucura
A vida  começa aqui, neste  momento.

Autor: José Manuel Alves

sábado, 28 de julho de 2012

SONHOS



SONHOS

Inventos de alma contrafeita
Acreditando, o sonho a tudo sabe
Inspiração surrealista e imperfeita
Reversos nebulosos da verdade

Cânticos em manhã de suavidade
Impossíveis que o coração aceita
Tentáculos rasgando a obscuridade
Ansias da alma perdida, insatisfeita

Sonhar é a vontade a correr mundo
Sobre iluminado vale profundo
Onde vive a realidade mascarada

Setas peregrinam vagueando
Como gaivotas idílicas voando
Na muda ilusão do tudo ou nada.

Autor: José Manuel Alves



CAMINHOS INFINITOS




CAMINHOS SEM FIM

O meu caminho é um desafio
De perigos e sobressaltos
De aventuras, contastes
Que percorro como um malabarista
Na corda bamba.

O meu caminho é um destino
De alçapões e labirintos
Onde só a luz dos teus olhos me guia.

A mina estrada é como um réptil
Enredando-se na imaginação imprecisa
Quando sobre as águas as minhas vontades se afundam
Na dança bizarras das sombras  do crepúsculo.

Ergues os teus dedos
Como Um farol peregrino
Que me alumia e conduz
No complexo labirinto da estrada
Que desaba e se afunda
Sempre que os meus pés
Te seguem e perseguem
Numa desmedida ânsia
De te inventar princesa
Nos meus sonhos de fadas.

Autor José Manuel Alves