terça-feira, 26 de junho de 2012

Ruínas De Uma Igreja



RUÍNAS DA IGREJA     

Quem te disse que a vida é eterna flor
Quem sobre ti escreveu eternidade
Quem te revestiu de árvores de saudade
Alguém que nunca soube o que é o amor

Crescem-te nas entranhas vivas flores
Que Na Primavera espreitam à janela
Como querendo prostrar-se na lapela
Dos que passam indiferentes às tuas dores

Quem te abandonou? Que importa?
O Inverno já espreitou a tua porta
Não é a vida um constante derrubar?

Outrora eras Igreja, eras menina  
Hoje o teu destino é a ruína
Ruindo… ruindo até tombar.

Photo e poesia
José Manuel Alves

domingo, 24 de junho de 2012

O Buraco do Tempo






 UM DIA NOS ENCONTRAMOS POR AÍ

Estáticos e mudos no adeus da separação
O atravessar de muros e destinos divergentes.
Muito ficou por dizer e por fazer
Dificilmente voltaremos a falar de poesia
De banalidades, ou fotografia
Tão pouco voltarás à minha secretária
E pedir o meu afia lápis.

Vivemos sob a alçada implacável da vida
Que desde  o tempo de escola nos rouba os amigos
E os consome no turbilhão fantástico do esquecimento.
Dificilmente voltaremos a zombar com ironia
Dos assuntos sérios, ou demagogia
Tão pouco voltarei  a buzinar ao teu aceno
Na ultrapassagem  irreverente da autoestrada.


Tangenciamos tantas vezes os nossos caminhos
Repartimos angústias, ansiedades e conquistas
Sonhamos  em conjunto a Primavera.
Dificilmente voltaremos a falar de astrologia
De carros, filmes, audácias ou até de fobia
Tão pouco voltarás  à minha secretária
Carregando novidades domingueiras

Mais uma pedra se junta no muro da separação
O começar de destinos divergentes
O pressentimento e último olhar
De alguém a ser engolido pelo tempo.

No carrocel estonteante das vontades
Quem sabe? Um dia nos encontramos por aí.

Photo e poesia: José Manuel Alves


sábado, 9 de junho de 2012

CANTAR LORIGA




CANTAR LORIGA


Quando alguém espreita do mirante
Deslumbra-se o visitante
Numa imagem sem igual
Loriga é das vilas mais bonitas
Mais vistosas, mais catitas
Deste Nosso Portugal

Chega o Inverno veste-se de branco
Refugia-se no manto
Que a neve abençoou
Como um postal ilustrado
No seu brilho imaculado
Que a natureza pintou.

Refrão 1

Anda vem cantar esta cantiga
Vem a Loriga! Vem a Loriga!
Espreitar as casas pequeninas
Ver as ruas estreitinhas
Ouvir o povo Cantar.

Anda vem daí vem a Loriga
Conhecer a nossa gente
Como brilha o seu olhar
Quando do mirante, orgulhosos
Os Loriguenses vaidosos
Não se cansam de a mirar.

Refrão 2

Anda  vem daí desce à ribeira
Vem ver as Aguas a borbulhar
Nas cascatas de águas cristalinas
Que Descem pelas colinas
E Encantam o nosso olhar

Anda vem daí rimar cantigas
com as raparigas
Desta Vila sem igual
Em Loriga nasceu a beleza
Brindou-nos a natureza
Com A Praia Fluvial.


Nossa Senhora da Guia
Abençoa noite e dia
Os filhos da nossa terra
Imigrantes pelo mundo
Divulgam com amor profundo
A estrela da nossa  serra

Nas  noites de São João
Dançamos de mão na mão
E Saltamos a fogueira
Quem ama Loriga não esquece
Toda a gente se conhece
Desde o fundo à carreira.

Música, Letra e Vídeo
Autor: José Manuel Alves


sábado, 26 de maio de 2012

Garganta de Loriga



A GARGANTA

A garganta que me espanta
Que me seduz e encanta
Na alternância das águas vagarosas
Serpenteando serenas
Como um rio de cristal
Ou revoltas como enfeitiçadas
Na pressa com que galgam afoitas os penhascos
Desenhando caminhos de incerteza
Em direção ao fundo
Extravasando os obstáculos que as prendem
Caindo inertes em cascatas  e bicarões
 Sobre as pedras mudas e disformes
Que as dividem e as encaminham  na ribeira.


Gélidas , e cristalinas
Descem pelas encostas
Entoando cânticos de notas  irrequietas
Rodopiando nas “piorcas”
Como moinhos de água mole
Desgastando a dureza das pedras
Abrindo inquietantes covas redondas
Profundas e arrepiantes 
Nas fragas que brilham com laivos de diamantes.
Quando o sol do meio-dia
Incide sobre a mica e o quartzo do granito.

 Perdem-se os nossos olhos no espanto
Do encanto que nos atrai e conquista
Sempre que olhamos a garganta.
Seja de cima ou de baixo
Silenciosa e bela
Convidando-nos a segui-la.

Photo e poesia - José Manuel Alves