quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

MAR DE ESPERANÇA



ANCORA

Crescem meus temores na ansiedade

Capaz de submergir meu pranto
Matando o invulgar aconchego
Do teu coração ancorado
No meu espírito.

Esta inércia de pensar

Este desassossego do olhar
Este esmolar de paz
No ímpeto da brandura plácida
Deste mar de pensamentos.

Meus olhos magoados

Profetizam esperanças
Em místicos caminhos
Numa cegueira bendita
Sem culpas inquisidoras.

Lanço a mão à âncora

Cansada de prender meus anseios.
Já pouco me resta para ver
Neste mar sem fundo
Que a corrente rasga
Ate prender no lodo
o barco da vida vida
A esmo e náufrago
Na tempestade
De palavras vazias.

Photos e poesias:  José Manuel Alves

MADEIRA


MADEIRA

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Inverno no além da minha Janela




NEVOEIRO

Quadro de cinzas pachorrentas

Teimosamente ensombrando
E vestindo de entediantes neblinas
Caminhos de horizontes apagados
Entre nuvens de vapor crescente
Pendurado nas folhas molhadas
Das árvores aprumadas e esguias
Como mãos de prece em oração.

Inconstantes, num vaivém pausado

Passos de alguém entorpecido
Exalando uma brisa cansada
De respirar a manhã fria
Como fumo de cigarros
Que se entremeia e confunde
com etéreos mantos de noiva
Suavemente pintados no Inverno.

Olhar vadio sobre as cinzas

Subindo e descendo
Na inconstância das formas
Disformes e inseguras
Que limitam a visão
E nos arrastam no sonho
De Castelos erguidos de fantasia
Que se movem e se desfazem
Na luz do sol que se levanta.

Photo e poesia: José Manuel Alves


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SOMBRAS

SOMBRAS

Sombras são pedaços de nós
Fantasmas que nos seguem
Como demónios apaixonados
Rastejando ousados pelas ruas
Subindo e descendo como loucos
As paredes e os muros dos caminhos


Prendem-se silenciosas
À cadência dos nossos passos
E sem cansaços, elas são
O nosso eu bizarro
Em desgarro
tingido de escuridão.

Espreitam-nos na madrugada
Ou na ensolarada tarde.
Sem alarde, avivam-se no luar
E no passar, enredam-se na luz
Que as ressuscita e seduz
Como maldições ao nosso olhar.

Sombras são pedaços de nós
Fantasmas vivos
Sem alma e sem razão
Obcecados e perdidos
Perseguem-nos, famintos
Arrastando-se no chão.

Photo e poesia:
José Manuel Alves

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A GUERRA








Só quem esteve por lá, sabe o que é a emoção de procurar o nome dos amigos
entre os milhares de nomes que enchem as paredes. A minha Homenagem para
todos eles.

A GUERRA


Olhai-os tisnados pelo sol
Arma a tiracolo, Olhos abertos
Prontos a matar e a morrer.

Ali tudo lhes é indiferente
E sem medo avançam ao encontro da incógnita.
Seus pensamentos vagueiam longe
Acariciando perenes recordações
O filho, a noiva, a mãe...
Que importa? Estão na guerra!
De cada árvore que avistam
Esperam uma bala com o seu nome
Mas não param.
Olhai-os!
Vede como se amam…
Reparai que junto dos que caiem
 Fica um pouco dos que avançam.
Só a ilusão de um fim
Lhes dá a hercúlea coragem e força
Para vencerem a fome, a sede, o sono.


Um dia, talvez sorriam felizes
No entorpecimento cansado da angústia
Ou, quem sabe?
Alguém verá o seu nome
Escrito e alinhado entre milhares
Num memorial de lápides de mármore gelado
Num epitáfio de reconhecimento inglório
Àqueles que pela sua Pátria
Tudo deram e tudo mereceram!
Tudo deram e tudo perderam.
E aos quais nem  sequer lhes sobrou
A vida.

Photo e poesia: José Manuel Alves