terça-feira, 20 de dezembro de 2011

É NATAL É NATAL



É NATAL É NATAL

Apenas, e tão só

24 Horas.
Em que deveríamos esquecer os egoísmos
E dar as mãos
Repensar que a vida é algo de efémero
Que não justifica os atropelos
A desumanização
O abandono!

Reflectir que nem tudo vale a pena

Quando pomos em causa os valores e o respeito pelos outros.
Quando alguém esfomeado nos estende a mão!
Quando crianças carregam desde a nascença
A culpa de terem nascido
Neste mundo cruel.
Afinal é Natal!
Tempo de sonhar que tudo poderia ser bem melhor
Tempo de olhar os outros e vermo-nos reflectidos
Nas suas angústias e desesperos
Nas suas alegrias e tristezas.
Vivemos no mesmo tecto
Olhamos as mesmas estrelas
Bebemos das mesmas fontes
Somos irmãos!
Os irmãos conhecem-se
E amam-se.

Photo e poesia: José Manuel Alves

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A SILHUETA


SILHUETA

SILHUETA


Sombras gotejam do dia em declínio
Embaciando de negro
O suave arredondado da acalmia das águas

Meus olhos perdem-se na silhueta!

Escultura sinuosa de formas soltas
Desenhadas na contra-luz

Saboreio lentamente o horizonte

Numa exuberância lasciva
Como um vulcão de desejo
Como um vulcão invertido
Explodindo dos céus.

Somo as horas

Indiferente ao Outono
E à silhueta de tranças desgrenhadas
Teimosamente esculpida
Na sensibilidade do meu olhar.

Photo e poesia: José Manuel Alves

ENTARDECER NA LINHA


ENTARDECER NA LINHA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CASTELO DE GUIMARÃES



O CASTELO

Sou a memória viva do passado

Alimento de lendas os fantasmas que me habitam.
Nas pedras dos meus caminhos
Fogosos corcéis correm à toa
Arrastando no chão mantos de cetim.

Sou Filho da História

Bastardo de reis e tiranos.
Gerado entre conquistas e derrotas,
Não me vergo sob o peso dos séculos.

Semeio em cada recanto

Versos de eternidade
Sou um jovem senhor do tempo
São meus os exércitos imemoriais
que se espalham e se escondem
Entre o granito cansado das muralhas.

Tu que entras..

Curva-te perante a realeza irrepreensível
Das minhas torres de grandeza imortal.
Eu sou a memória viva do passado
Alimento de séculos
Os fantasmas que me habitam.


  Photo e Poesia

José Manuel Alves

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NASCER DO SOL NO TEJO


MADRUGADA

Ousara oferecer-te a madrugada

Partilhada no teu corpo, noite fora
Em lençóis de púrpura, imaculada
Sob o luar que ciumento te namora

Quisera imolar-me em teu sorriso

Escutar as palavras que não falas
Que sentes, te queimam, mas que calas
Confundindo-as em frases de improviso.

Sonhara desenhar-te em finos traços

Esculpir-te em cristal resplandecente
Adorar-te como Deusa, eternamente

Até o corpo dor de tanto amar

Desejando que um dia ao acordar
Me encontrassem fundido nos teus braços


Photo e Poesia: José Manuel Alves

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

TERNURA


TERNURA

Tantas horas passaram na sombra dos teus gestos
Tantas vezes bebi o sorriso
Dos teus olhos vigilantes
Tantas vezes as tuas mãos transbordaram de afagos
No aconchego do teu coração inquieto.

Tantas vezes escutei as palavras
Que a tua alma de incentivo me ditava
Tantas vezes choraste as minhas lágrimas
Tantas vezes me levaste pela mão
E me ensinaste caminhos.

Tantas! Tantas vezes
Tantas e tantas coisas
Que hoje guardo com ternura
No infinito tesouro das minhas recordações.

Photo e poesia:  José Manuel Alves