segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CASTELO DE GUIMARÃES



O CASTELO

Sou a memória viva do passado

Alimento de lendas os fantasmas que me habitam.
Nas pedras dos meus caminhos
Fogosos corcéis correm à toa
Arrastando no chão mantos de cetim.

Sou Filho da História

Bastardo de reis e tiranos.
Gerado entre conquistas e derrotas,
Não me vergo sob o peso dos séculos.

Semeio em cada recanto

Versos de eternidade
Sou um jovem senhor do tempo
São meus os exércitos imemoriais
que se espalham e se escondem
Entre o granito cansado das muralhas.

Tu que entras..

Curva-te perante a realeza irrepreensível
Das minhas torres de grandeza imortal.
Eu sou a memória viva do passado
Alimento de séculos
Os fantasmas que me habitam.


  Photo e Poesia

José Manuel Alves

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NASCER DO SOL NO TEJO


MADRUGADA

Ousara oferecer-te a madrugada

Partilhada no teu corpo, noite fora
Em lençóis de púrpura, imaculada
Sob o luar que ciumento te namora

Quisera imolar-me em teu sorriso

Escutar as palavras que não falas
Que sentes, te queimam, mas que calas
Confundindo-as em frases de improviso.

Sonhara desenhar-te em finos traços

Esculpir-te em cristal resplandecente
Adorar-te como Deusa, eternamente

Até o corpo dor de tanto amar

Desejando que um dia ao acordar
Me encontrassem fundido nos teus braços


Photo e Poesia: José Manuel Alves

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

TERNURA


TERNURA

Tantas horas passaram na sombra dos teus gestos
Tantas vezes bebi o sorriso
Dos teus olhos vigilantes
Tantas vezes as tuas mãos transbordaram de afagos
No aconchego do teu coração inquieto.

Tantas vezes escutei as palavras
Que a tua alma de incentivo me ditava
Tantas vezes choraste as minhas lágrimas
Tantas vezes me levaste pela mão
E me ensinaste caminhos.

Tantas! Tantas vezes
Tantas e tantas coisas
Que hoje guardo com ternura
No infinito tesouro das minhas recordações.

Photo e poesia:  José Manuel Alves

A ÀRVORE E O TEMPO





 A ÀRVORE E O TEMPO

De tudo o tempo se apodera

De tudo o tempo se alimenta
Implacável na conquista
Indomável na força.
Engolindo muros de pedra
Derrubando orgulhos
transformando castelos de poder
em repasto de arvores famintas.

Alguém passa e diz com ironia:

Aqui jaz a verdade!
a heresia!
De quem se imagina
Eterno nesta vida.

Photo e Poesia

José Manuel Alves