quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NASCER DO SOL NO TEJO


MADRUGADA

Ousara oferecer-te a madrugada

Partilhada no teu corpo, noite fora
Em lençóis de púrpura, imaculada
Sob o luar que ciumento te namora

Quisera imolar-me em teu sorriso

Escutar as palavras que não falas
Que sentes, te queimam, mas que calas
Confundindo-as em frases de improviso.

Sonhara desenhar-te em finos traços

Esculpir-te em cristal resplandecente
Adorar-te como Deusa, eternamente

Até o corpo dor de tanto amar

Desejando que um dia ao acordar
Me encontrassem fundido nos teus braços


Photo e Poesia: José Manuel Alves

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

TERNURA


TERNURA

Tantas horas passaram na sombra dos teus gestos
Tantas vezes bebi o sorriso
Dos teus olhos vigilantes
Tantas vezes as tuas mãos transbordaram de afagos
No aconchego do teu coração inquieto.

Tantas vezes escutei as palavras
Que a tua alma de incentivo me ditava
Tantas vezes choraste as minhas lágrimas
Tantas vezes me levaste pela mão
E me ensinaste caminhos.

Tantas! Tantas vezes
Tantas e tantas coisas
Que hoje guardo com ternura
No infinito tesouro das minhas recordações.

Photo e poesia:  José Manuel Alves

A ÀRVORE E O TEMPO





 A ÀRVORE E O TEMPO

De tudo o tempo se apodera

De tudo o tempo se alimenta
Implacável na conquista
Indomável na força.
Engolindo muros de pedra
Derrubando orgulhos
transformando castelos de poder
em repasto de arvores famintas.

Alguém passa e diz com ironia:

Aqui jaz a verdade!
a heresia!
De quem se imagina
Eterno nesta vida.

Photo e Poesia

José Manuel Alves

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

MAR ETERNO



MAR ETERNO
Olhei o mar
E pus-me a pensar
E se não houvesse mar
E se o mar não nos desse que pensar
E se, ao pensar no mar
Me perdesse de o olhar
O que veria em seu lugar?
Recostei-me no lugar
E desisti de pensar
Não fosse, de tanto divagar
Acabar por cair
No mar.

Photo e poesia: José Manuel Alves

terça-feira, 22 de novembro de 2011