quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A MINHA MIRAGEM


A MINHA MIRAGEM

Olhei e não acreditei…

O coração revolto na irreal visão
Do azul que se espraiava na retina
Como extensas mãos suaves de menina
Ali tão perto nas margens da minha mão

Olhei surpreso e céptico

O incrível quadro, Benedito
As linhas em desvario serpenteando
Ali descendo, mais além se elevando
No surreal carrossel do infinito

Quem será capaz?

Quem poderá ter a ousadia, a insolência
Pensar que pode desvendar a natureza
E afirmar-se como dono da certeza
De que tudo se explica na lógica da ciência.

Ninguém me respondeu!

Fixei a objectiva na paisagem
Quis guardar aquele instante, o momento!
Na minha cabeça persistia ainda o pensamento
Será tudo real ou uma miragem?


Photo e poesia: José Manuel Alves

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O VELHO CAIS


O CAIS SAUDADE

Cada estaca é uma história

Cada história é uma lida
Cada lida é uma vitória
Cada vitória uma vida

Cada tronco é uma saudade

Cada saudade é partida
Cada partida é maldade
Cada adeus é despedida

Cada tábua é um soalho

Cada soalho um caminho
Cada caminho um atalho
Cada atalho é um espinho

Cada corda é um cansaço

Cada cansaço um gemido
Cada gemido um abraço
Cada abraço um sentido

Cada cais é uma lembrança

Cada lembrança uma dor
Cada dor é uma esperança
Cada esperança um amor.
 
Photo e Poesia: José Manuel Alves


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LORIGA - Açude



AÇUDE DE LORIGA



Glossário:
Dinqueiros - Nus * Caldeirão e Inferno - Poços emblemáticos com grande profundidade. * Carcódoa - Casca do pinheiro, facilmente trabalhada à mão. * Quelhas - Pequenas ruas.


MIÚDOS E HOMENS DE LORIGA

A fundura dos poços de Loriga
Mede-se pelos homens que encobrem
Enquanto os miúdos, “dinqueiros”
Secam estirados ao sol
Sobre as fragas de granito polido

As ribeiras não têm segredos!
Eles conhecem-na como ninguém
E são muitos os heróis
Que tocaram o fundo do "caldeirão" e do "inferno".

A fundura dos poços de Loriga
Mede-se com homens de coragem
Homens que a seu tempo
Desafiaram a rudeza da serra
E foram pastores, mineiros
Agricultores, operários
Homens de saber
Ou gente apenas.

Em Loriga os homens nascem marinheiros
E navegam bem cedo os barcos de "carcódoa"
Ladeando-os rego abaixo
Em incessantes correrias
Por ruas e quelhas
Horas a fio
Contrariando o cansaço.

A grandeza dos que partiram
Mede-se na saudade
E no irresistível desejo de voltar a mirá-la lá do alto
Olhos desmesuradamente espantados
Como se fosse a primeira vez
E senti-la incrivelmente bela
Serenamente ajoelhada na ribeira
Enquanto os miúdos dinqueiros
Secam estirados ao sol
Sobre as fragas roliças
De granito polido.

  Photo e poesia
José Manuel Alves

CÉU DE FOGO

                          

Céu de Fogo



Os céus inflamam-se

Numa multiplicidade de labaredas encarniçadas.

As nuvens ardem de ansiedade

Atiçadas Pelo crepúsculo do Poente.

Cobriu-se o dia de sombras envergonhadas

Dançando como fantasmas espantados

Em redor da fogueira incongruente.



Morreu a tarde ensolarada

Enfeitou-se de urzes escarlatina

Nas asas dos moinhos lá no fundo

Sobre o fascínio dos montes escarpados

Como tentando erguer-se, moribundos

Sobre a magia da dor que se amotina



Pinto os meus versos de vermelhos

Escurecidos e apagados no horizonte

Com rimas afogueadas de sede

Ruborizadas de luzes

Enlouquecidas de serenidade.



As minhas horas, os meus séculos

São a eternidade deste por de sol

Numa sinfonia infinita

Escrita numa partitura de luz

Que me encanta e seduz

No estertor do dia que se fina.


Photo e poesia: José Manuel Alves

AMANHECER NO AZUL DOS SONHOS


Amanhecer no Azul dos Sonhos

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Loriga - Ribeira




Loriga - Ribeira

Loriga - Ponte




A PONTE É UMA JANELA

A ponte é uma janela
E através dela
Verei á noite o luar.
Tornou-se a montanha pequenina
Descanso de ave peregrina
Ajustada ao horizonte do meu olhar.

A Ponte é a minha janela
E depois dela
Um caminho de águas a brilhar.
Lágrimas copiosas bendizendo
Em cada fraga que galgam, escrevendo
Uma novena de paz no meu olhar.

A Ponte será sempre uma janela
E através dela
Espreito à noitinha o luar
Sobre aquela montanha pequenina
Nas asas de uma ave peregrina
Enchendo de serenidade o meu olhar.

Photo e Poesia: José Manuel Alves