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sábado, 22 de outubro de 2011
O MUNDO ÀS CAMBALHOTAS
O MUNDO ÀS CAMBALHOTAS
Mundo!
Moribundo e louco!
Onde os equilibrados vivem
Aos trambolhões…
Governados por políticos
Sem escrúpulos e aldrabões.
Um mundo moribundo
Onde apenas alguns têm privilégios
Autênticos sacrilégios
Da dignidade das gentes de bem.
E tudo vale nesta guerra de poderes.
Não importa se caminham
Sobre cabeças degoladas
Ou gargantas de contraditório
estropiadas.
Pouco importa se o amigo jaz na calçada
Se dele podem fazer um degrau
Ou uma escada
Para alcançar os insaciáveis…
Inconfessáveis
E tenebrosos fins.
Por isso ergo o meu punho de protesto
E mesmo que seja tudo o que me resta
Grito bem alto: Basta!
Basta!
é urgente caminhar
é preciso
Construir gritos de homens sãos.
Photo e poesia:
José Manuel Alves
domingo, 16 de outubro de 2011
O CISNE E A VIDA
A VIDA
Lago azul parado e pasmacento
No ditar do destino vivenciado
Rebuscar de virtudes do passado
No entardecer do dia pachorrento
Sobre ele se desfazem as alvoradas
Manhãs de sol por nós constantemente
Escritas num deixa andar, permanente
De audaciosas esperanças apagadas
Fixo o olhar no momento da verdade
Talvez num frémito mudo da vontade
Em apurado recolhimento eu cisme
Bom seria viver a vida incerta
Num paradisíaco lago, ilha deserta
Nadando, exuberante como um cisne
Photo e poesia: José Manuel Alves
CAMINHANDO SOBRE AS ÁGUAS
CAMINHANDO SOBRE AS ÁGUAS
Sonho
Sonhei que caminhava sobre as águas
Num navegar perfeito sobre as ondas.
Ai! As vagas adormecidas
Caladas e cambaleantes
Como cordeiros enfeitiçados na boca do lobo.
Havia o murmúrio dos remos cortando a maciez da maré.
E a esperança de alcançar as margens do meu sonho sonhado.
Onde me levarão estas trevas impuras
Porque brilham ao longe teus olhos ardentes
Porque não descansa esta febre de acordar
Este delírio inconsciente que me mantém erguido.
Sonhei que passeava sobre as águas
Num navegar perfeito sobre as ondas
Por entre reflexos de lenços brancos
Acenando despedidas
Porque não brilham ao longe os faróis que me norteiam
Porque se calam as vozes que me guiam
Ai ! Estas vagas adormecidas
Esta preguiça de adivinhar
Que braços aflitos se restaram na praia
Abandonados na agonia
Do meu naufragar.
Do meu naufragar.
Photo e poesia: José Manuel Alves
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
NEVE NA SERRA DA ESTRELA
A neve
Fria e gélida
Alva e imaculada
Cobrindo o chão de beleza.
Renascendo da fúria invernal
Nuvens expandidas
Erguem-se no horizonte
Erguem-se no horizonte
sopradas pelo vento norte
Numa vontade incontida
De ressuscitar o sol açaimado
Num Inverno latente.
Neve é beleza
Candura e realeza
Despontar de rostos espantados
No alongar do gelo quebradiço
Nas águas afogadas
Navegando como pequenos barcos
Definhando até ao nada.
Olho e reflicto
Lentes embaciadas
Mas convicto
Que basta apenas ser sensível
E de certeza....
Plantamos aqui o coração
Até florir, na Natureza.
photo e poesia: José Manuel Alves
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
A FORMIGA NO CUBO
Pensamento de Formiga no cubo
Que injustiça ser formiga
Trabalhando toda a vida
Num labirinto de tristeza
Enquanto la fora, a cigarra
Com acordes de guitarra
Vive à grande e à francesa
A culpa é deste mundo hediondo
Que se ri da miséria alheia.
Mas eu juro!
Se tivesse um cassetete
Perderia a estribeira....
malhava! Malhava! Malhava!
Quando ele se lamentasse
Antes que me interrogasse
Diria ao Incrédulo e mudo:
Ri agora meu malvado
Vais ficar tão achatado
vais parecer-te com um cubo
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