domingo, 16 de outubro de 2011

CAMINHANDO SOBRE AS ÁGUAS

      
CAMINHANDO SOBRE AS ÁGUAS

Sonho
Sonhei que caminhava sobre as águas
Num navegar perfeito sobre as ondas.
Ai! As vagas adormecidas
Caladas e cambaleantes
Como cordeiros enfeitiçados na boca do lobo.

Havia o murmúrio dos remos cortando a maciez da maré.
E a esperança de alcançar as margens do meu sonho sonhado.
Onde me levarão estas trevas impuras
Porque brilham ao longe teus olhos ardentes
Porque não descansa esta febre de acordar
Este delírio inconsciente que me mantém erguido.

Sonhei que passeava sobre as águas
Num navegar perfeito sobre as ondas
Por entre reflexos de lenços brancos
 Acenando despedidas

Porque não brilham ao longe os faróis que me norteiam
Porque se calam as vozes que me guiam

Ai ! Estas vagas adormecidas
Esta preguiça de adivinhar
Que braços aflitos se restaram na praia
Abandonados na agonia
Do meu naufragar.


Photo e poesia: José  Manuel Alves

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

NEVE NA SERRA DA ESTRELA

A neve

Fria e gélida

Alva e imaculada

Cobrindo o chão de beleza.

Renascendo da fúria invernal

Nuvens expandidas
Erguem-se no horizonte

sopradas pelo vento norte


Numa vontade incontida

De ressuscitar o sol açaimado

Num Inverno latente.



Neve é beleza

Candura e realeza

Despontar de rostos espantados

No alongar do gelo quebradiço

Nas águas afogadas

Navegando como pequenos barcos

Definhando até ao nada.



Olho e reflicto

Lentes embaciadas

Mas convicto

Que basta apenas ser sensível

E de certeza....

Plantamos  aqui o coração

Até florir, na Natureza.

photo e poesia: José Manuel Alves












quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O CAIS DAS COLUNAS


                                               

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A FORMIGA NO CUBO

                    
             

Pensamento de Formiga no cubo


Que  injustiça ser formiga

Trabalhando toda  a vida

Num labirinto de tristeza

Enquanto la fora,  a cigarra

Com acordes de guitarra

Vive à grande e à francesa



A culpa é deste mundo hediondo

Que se ri da miséria alheia.

Mas eu juro!

Se tivesse  um cassetete

Perderia a estribeira....

malhava! Malhava! Malhava!



Quando ele se lamentasse

Antes  que me interrogasse

Diria ao Incrédulo e mudo:

Ri  agora meu  malvado

Vais ficar tão achatado

vais  parecer-te com um cubo




Photo e Poesia: José Manuel Alves

                           

A CORRIDA DA VIDA



A VIDA
 
A vida é uma corrida
Desigual e dolorida
Alguns, meros espectadores
Os outros são corredores

Uns quantos bem na frente

Com um sorriso indiferente
Mesmo sem saber andar
Conseguem sempre o lugar

Outros vergam-se no doer

Da vontade de vencer
Sem dar tréguas ao descanso
Condenados ao falhanço!

A vida é uma corrida

Injusta e desigual
Para uns um mar de rosas
Para outros bem dolorosa
Dia e noite, noite e dia.
Em vista
A conquista
Do inalienável direito
Que todos deveríamos ter
De viver num mundo
Simplesmente
Perfeito.

Photo e poesia: José Manuel Alves

sábado, 8 de outubro de 2011

ALCOCHETE

RUINAS DA IGREJA













RUINAS DA IGREJA

Quem te disse que a vida é eterna flor

Quem sobre ti escreveu eternidade
Quem te revestiu de árvores de saudade
Alguém que nunca soube o que é o amor

Crescem-te nas entranhas vivas flores

Que Na Primavera espreitam à janela
Como querendo prostrar-se na lapela
Dos que passam indiferentes à tua dor

Quem te abandonou? Que importa?

O Inverno já espreitou a tua porta
Não é a vida um constante derrubar?

Outrora eras Igreja, eras menina

Hoje o teu destino é a ruína
Ruindo… ruindo até tombar.

Foto/Poesia: José Manuel Alves