sábado, 8 de outubro de 2011

RUINAS DA IGREJA













RUINAS DA IGREJA

Quem te disse que a vida é eterna flor

Quem sobre ti escreveu eternidade
Quem te revestiu de árvores de saudade
Alguém que nunca soube o que é o amor

Crescem-te nas entranhas vivas flores

Que Na Primavera espreitam à janela
Como querendo prostrar-se na lapela
Dos que passam indiferentes à tua dor

Quem te abandonou? Que importa?

O Inverno já espreitou a tua porta
Não é a vida um constante derrubar?

Outrora eras Igreja, eras menina

Hoje o teu destino é a ruína
Ruindo… ruindo até tombar.

Foto/Poesia: José Manuel Alves

O PONTÃO

O PONTÃO

O pontão onde me sento e descanso
No enlace do entardecer com a noite
Onde medito e questiono às horas
Num sereno desafio do tempo.

Olho o baloiçar das águas
No crepúsculo de inúteis preces
Augúrios de naufrágios sentidos
De vontades à flor da revolta
Passeando-se sobre os abstractos
Pensamentos dum amanhã por acontecer.

Divago em espirais de infinitos desejos
Estendo os meus braços em direcção ao vento
E deixo que a chuva apague os sinais das lágrimas
Num arco-íris febril de deslumbramento
Que me arrasta e me afasta
Das violetas defuntas
Que os teus olhos plantaram
No jardim dos meus sonhos.

Photo e poesia: José Manuel Alves

CASINHAS 2

CASINHAS



CASINHA

Pequenina
Desenhada na beira da estrada
Com traços doces e suaves.
Aninhada entre paredes arredondadas
Num alvo desafio ao sol
Invejoso das suas cores brilhantes
E generosas
Como um convite a quem passa
E repassa e se perde de amores
Entre as flores que a enfeitam
Como um hino à sóbria beleza
De quem sabe conquistar
Com a grandeza da simplicidade
Dos humildes.

Photo e Poesia:José Manuel Alves

NASCEU O SOL


NASCEU O SOL

Lentamente

Como um imenso girassol
Emergindo duma fornalha de luz.
Imponente e vaidoso
Pairando sobre as tranquilas aguas
Num fascinante espectáculo de beleza..

Nasceu mais um dia!

Na azáfama da praça,
Fala-se de amor
Como quem vende retalhos de alma.
Leiloam-se sentimentos
Com a frieza de quem só passa nesta vida
Para vegetar.

Que sacrilégio não estarem aqui

Rendidos a esta magia de rei
Brilhando como fogo ateado em desvario
Num manto de luz quente.
Como um vulcão intenso
Que me ofusca e me cega.

Vou levar-te um pouco deste olhar

E despejá-lo de mansinho nos teus olhos
Fazer deles um girassol que me segue
Numa planície de sorrisos
semeados entre grinaldas de rosmaninho.

Que importa que se leiloe amor na praça?

a vida sem sol não tem graça.
Eu tenho as mãos cheias de vida
E levo o sol na algibeira.

Photo e Poesia

José Manuel Alves

RIBEIRA DE LORIGA

A BORBOLETA


BORBOLETA

Encontrei uma borboleta
preta
Na valeta.
Fiz uma careta|
Peguei numa pipeta
E com uma camiseta
Ainda com etiqueta
Enfiei-a na gaveta
Entre a minha papeleta.

Rodei a maçaneta!

Mas a gaveta
Mal fechada e com uma greta
Permitiu à borboleta
Preta
Esgueirar-se que nem cometa.

No ar deu uma pirueta

Balançou-se na caneta
E ágil que nem atleta
Pôs-se na alheta.

Espantado! Pensei!

Que grande picareta!
 
Photo e Poesia: José Manuel Alves