terça-feira, 4 de outubro de 2011

AS MÃOS



AS MÃOS

A minha mão
A tua mão
A tua mão na minha mão
As minhas mãos e as tuas
 As duas!

Mãos que acariciam
Escrevem e falam.
Mãos que se torcem em desespero
Quando fazem a guerra
 Mãos de paz
Quando te apraz
E seguras o arado
Rasgando a terra

Mãos erguidas em prece
Mãos de perdão e de açoite
Mãos que se perdem em carícias
Quando acontece
A noite.
São elas adeus
Raiva, acenos
Capazes dos gestos mais cruéis e obscenos
Capazes dos afagos mais doces e serenos
Mãos de adeus, de despedidas
Mãos de raiva e de guitarra
De sufocos e farra
De lágrimas contidas.
São assim as minhas e as tuas
Calejadas e nuas
Um mundo de sentidos
Divididos
Entre as duas.

Photo e poesia
 José Manuel Alves

domingo, 2 de outubro de 2011

O MOINHO


O MOINHO

Meu moinho renovado
Já não móis os cereais.
Paredes, e pouco mais
È o teu sonho transformado

Onde estão as tuas velas
Enfunadas à tardinha
Brancas, da cor da farinha
Sempre alvas, sempre belas

Onde está o teu moleiro
Vergado ao peso da vida
Arrastando-se na lida
Sol a sol o dia inteiro

Meu moinho renovado
Espreitando ao longe o Tejo
Fecho os olhos e que vejo?
A tua glória! o teu passado


foto/Poesia: Josalvespt

ESCARAVELHO



ESCARAVELHO

Escuro

Arredondado
Pés vermelhos
Irrequieto
Pequeno
Equilibrado
Escaravelho
Sou um insecto.

Poesia/Foto: Josalvespt

METRO DO PORTO

VOANDO SOBRE O TEJO

TUDO PASSA TUDO ACABA


TUDO PASSA! TUDO ACABA

Junta-te a mim e chora as tuas lágrimas
Descansa comigo no aconchego da eternidade
À sombra da nudez forte da certeza
Que nada somos e aqui tudo se acaba.


Tão pouco durou o dia inteiro!
Perdi-me na ambição dos pensamentos!
Julguei que poderia vencer
O inquebrantável finar das horas
E adocicar o perene veneno que nos esvazia
E nos arrasta de mansinho ao pó.

Aqui,esvai-se a arrogância
A injustiça, o ódio, a vingança
A mesquinhez, a fome a abastança.

A coluna da vida ruiu
Os pilares da altivez tombaram,
Quem o diria!
Que a as minhas lágrimas no chão
Abririam a cova onde te perdes
Agora que as flores murcham
Depois que as vozes se esfumaram
E se perderam em calada resignação..

Junta-te a mim e chora as minhas lágrimas.
Sobra-te o silêncio da eternidade
Aqui onde de nada vale a vaidade
E apenas as minhas asas brancas
Cobrem de silêncio e paz
O teu sorriso apagado.

Autor foto e poesia: Josalvespt

terça-feira, 27 de setembro de 2011

DESCENDO NA MADEIRA



CAMINHOS DE NUVENS

Soltas e abstratas
Um dilema inquieto!

Um desassossego de formas
Maculando o azul do céus
Delimitando caminhos.

Elas são...
Novelos em rodopio
Pouco importa se não cabem na minha mão!

Quero senti-las acariciando o meu rosto
Escalá-las uma a uma
Fazer delas as avenidas por onde te alcanço
E descanso
Sobre o lancil imaginado da tua porta.

Por favor não me roubem as nuvens!

Imaginei-me a saltar dum avião
Sonhei que as sentia beijando meu rosto
Sedosas e macias com lábios de sumaúma
Descendo, descendo
suavemente
Ate poisar no chão.
Por favor ! Não me roubem as nuvens!
Repito:
Por favor! Não me roubem as nuvens

Autor Foto e poesia
José Manuel Alves