quinta-feira, 15 de setembro de 2011

LIBELINHA

LIBELINHA

Voa! Voa Libelinha

És perfeita simetria
Voa ao sabor do vento
Tens o mundo à tua espera
Libelinha és alegria
Voa no firmamento
Veste-te de Primavera
Parceira dos meus segredos
A tua casa é a rua
Voa sem rumo e sem medos
Vai daqui até à lua
Faz do sol a tua porta.
Vai veloz como andorinha
Se o teu voar tiver volta
Libelinha voa! Voa!
Faz um trono de rainha
Numa rua de Lisboa.

Autor Photo/Poesia: Josalvespt

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O MAR E O MEU OLHAR

VIDA
No limiar do teu rosto de menina
Crescem teus olhos prenhes de paisagem
Os teus seios como aves de rapina
Arfam plenos de beleza e de coragem

Nos teus lábios nascem beijos que embriagam
Quando o meu corpo no teu corpo se deleita
Os teus braços são rios que me afagam
E se espraiam na madrugada que te espreita

Como um barco sem leme, naufragado
Na tempestade do teu sangue me desfiz
E despejei no teu orgasmo inesperado
A semente do filho que te fiz.

Misteriosa magia, doce cântico
Embalam teu corpo desfalecido
Que de tanto amar se deu, de tão romântico
Restou nos meus braços, nu,  adormecido.

Autor poesia/Photo: José Manuel Alves

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

BOLA DE CRISTAL


 BOLA DE CRISTAL 
 
Pela minha janela
Entram sombras obtusas
Fantásticas, disformes, confusas
Luar de Agosto no chão

Figuras desalinhadas
Corpos híbridos crescendo
Sereias emergindo das mágoas
Baloiçando-se no chão
No espaço tangente das águas
Como bola de cristal ardendo
Entre os dedos da minha mão.


Sonhos desassossegados
Ornados de nuances doiradas
Escapulindo-se assustados
Na noite por acontecer
Na adrenalina estonteante
De prosaísmos cansados
De amanhãs por viver.

Fecho os olhos!
Será sonho ou panaceia
Verdade ou invenção?
 Hoje é minha lua cheia
Como bola de cristal
Entre os dedos da minha mão.


Photo e poesia: José Manuel Alves




Recantos de Loriga



SONETO - RECANTOS DE LORIGA


A paz inquieta destas ruas é sentida
Ausência de quem nas esquinas te marcou
Com saudades duma infância breve e perdida
Num tempo que partiu e não voltou

Escuta-se no silêncio a chiadeira
Dos “rendízios” de gancheta, lá no fundo
Pés descalços , com sorrisos na algibeira
Um quase nada, que valia o mundo

Passo e repasso meditando quedo
na multidão que já fomos, nas histórias
Dessas crianças adultas muito cedo

Choro as ruas vazias e os recantos.
Ali …onde só os teus filhos lêem as memórias,
Os outros, apenas vêem os teus encantos.


Photo/Poesia: José Manuel Alves

A PONTE



A PONTE

Sou a passagem entre o aqui e o além
Trago do passado a força do saber
O eco dos passos nos caminhos cansados.

Sou memória de fantasmas vivos
De rostos esvaziados de vida
De conversas engolidas
que nem o tempo, nem os homens calaram.

Ergo-me numa simplicidade majestosa
De quem tanto viu e sentiu
Venho do fundo das mágoas
Do limite das vontades.
Lego a esperança aos olhares ansiosos
aos que por mim passam
e se perdem no além

Corre-me no granito frio
a vontade de consumir gerações
e de me restar reflectida
no espelho das águas paradas
aqui deste lado
de braços abertos até ao infinito..

photo/Poesia by José Manuel Alves
 

sábado, 10 de setembro de 2011

PENSAMENTOS E IRONIAS DE UM BURRO


PENSAMENTOS E IRONIAS DE UM BURRO

Não me levanto cedo!

Não corro apressado
Para o trabalho
Pelo atalho das avenidas
Pejadas de gente
Cansada e Sonolenta
Para ganhar uns tostões
Com que pagar os milhões
De obrigações
De uma vida de faz de conta.

E ainda me chamam burro?


Não sou eu que vivo empilhado nas cidades

Cansado das modernanças
Dos políticos, das finanças
Do ar irrespirável
Ou odiando
O condutor embriagado
Que pela manhã se lembrou
De atropelar a vida de um cão
Da incógnita e atónita dama empertigada
Mal equilibrada nos seus saltos altos de senhora fina
Que desatina enquanto exibe
A sua nova expressão de morta
Na cara torta
Que o cirurgião lhe arranjou
Com desconto.

“O Burro sou Eu?”

“O Burro sou eu?”

Perante o meu enigmático encolher de ombros

Chegou mais perto...
Abriu-se num sorriso
E disse com ar prazenteiro:
(Aqui pra nós)
Gozasse eu dos favores
Que têm certos senhores
Até seria engenheiro
Photo e poesia by: José Manuel Alves
 

DOR

DOR
Dói-me por demais esta lonjura
Esta ausência de ter ver, este mutismo
De tão longe, esperar-te é uma loucura
Pairando no silêncio deste abismo.

Dói-me o Outono desnudando as avenidas

Onde os teus olhos amantes, na cidade
Esculpiram em cada rua, em cada esquina
Um coração, numa moldura de saudade.

Dói-me o amor platónico, impossível

No teu corpo tantas vezes palmilhado
Dói-me o efémero ciúme em ti visível
O tédio de não poder estar ao teu lado.

Foto e posesia: José Manuel Alves