sábado, 10 de setembro de 2011

ESPINHOS NO TEU CORPO MULHER


ESPINHOS

Espinhos
Duros e pontiagudos
Dor e pavor
São como soldadinhos
Perfilados na couraça
Do teu corpo de amor.

espinhos
Afiados e letais
Filhos De malmequer
São como espadas
Defendendo a alma
Do teu corpo mulher

Espinhos
São beijos transformados
Punhais no teu peito
Quando a tua boca
Bebe o veneno
Dum sonho desfeito

Foto e poesia: José Manuel Alves

AS ONDAS UMA A UMA

AS ONDAS, UMA A UMA

As ondas, uma a uma
Como novelos de espuma
Desfazem-se como algodão
Na minha mão.

Um canto molhado e doce
Quem as criou?
Quem as trouxe?
Quem lhes incutiu aquele arrastar lamentoso
Numa dança de agonia enrouquecida
Como poetas famintos
Surfando labirintos de inconfidências
Em versículos descoloridos.

Lentamente, uma a Uma
Com a paciência de quem é dono da eternidade
Com a maciez da sumaúma
Num gesto de poder e de vaidade
Vestem as rochas de espuma
E afogam-nas sem piedade

Ah! Este mar! Este deserto
Entre cânticos de sereias a rezar
Este feitiço de o olhar de longe ou perto
Augúrios de pescadores a estrebuchar
Perdidos na imensidão sem rumo certo
Mãos erguidas, vidas a definhar.

São assim as ondas
Uma a uma
Vestidas de rendas e de espuma
Que se desfaz como o doce algodão
Entre os dedos da minha mão.
Quem as criou?
Quem as trouxe?


  Foto e poesia: José Manuel Alves